[SETE]
De 2013 a 2020, vivi em uma comunidade rural em Minas Gerais, Brasil, organizada em torno do trabalho coletivo, da vida compartilhada e de um modelo de aprendizagem que se afastava das estruturas da sociedade ocidental tradicional. A vida cotidiana era guiada pelos ritmos da terra e envolvia uma relação direta com a natureza, por meio do cultivo, da construção e de rituais coletivos.
Nesse contexto, a fotografia passou a fazer parte do meu cotidiano como uma forma de coletar e materializar as percepções subjetivas da vida. O trabalho surge dessa prática contínua, desse gesto que traz uma espécie de ligação entre o humano e o não humano. O projeto se propõe a operar nesse entrelaçamento de tempos e perspectivas.
















Minha trajetória nesses anos foi marcada por deslocamentos que me permitiram circular por diferentes ecossistemas e temporalidades. Entre períodos mais longos no Uruguai e na Argentina, e passagens por Peru, Colômbia, Equador e outros territórios, sempre com base em uma área rural de Minas Gerais. Esse movimento constante tornou-se central para a construção de uma compreensão na qual seres e paisagens co-emergem, interdependentes e inseparáveis.







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Se entendermos os ciclos como como uma espiral, a vida se revela em sua complexidade: um sistema que envolve múltiplas temporalidades, onde a regeneração e a transformação são constantes. Tal perspectiva espiralar permite reconhecer que não se trata apenas de um retorno ao ponto de partida, mas de uma reconfiguração desse ponto, transformado pelas experiências e pelos conhecimentos adquiridos ao longo do caminho.









Sete nasce de uma vivência e se organiza como trabalho em um segundo movimento, quando as coletas são organizadas e as imagens passam a nascer como significado, aproximando-se de uma ontologia relacional, na qual o humano é parte de uma teia viva que envolve uma necessidade e um esforço de alteridade com os seres viventes.
Este trabalho está ligado a uma visão de mundo em que a pausa, abertura para uma pedagogia da terra e a regeneração são centrais.
As imagens aqui reunidas são acúmulo de tempo e, em termos visuais, configuram um regime de relações em que as fronteiras se dissolvem e a coexistência se apresenta como condição essencial para a vida.
[sintropia]
























